Empresas são organismos vivos

Texto por: Thuany Gibertini

As empresas eram encaradas como máquinas, que sempre executavam os mesmos processos para chegar no mesmo produto. Hoje com um mercado cada vez mais disputado e a velocidade frenética dos avanços tecnológicos, não é possível olhar para as empresas como sistemas fechados. 

Essa crença engessava a atuação e até mesmo as relações das empresas, levando muitas vezes a tomadas de decisão que afastavam as corporações das novas tecnologias. Além disso, essa postura robotizada tornava os movimentos previsíveis para a concorrência.

Outro fator importante que ficava de fora com essa perspectiva eram as pessoas. Hoje, podemos encarar as empresas como organismos vivos, colocando o fator humano como protagonista e potencializando a habilidade de adaptabilidade das organizações.

As semelhanças entre um ser vivo e uma empresa

Como um organismo vivo apresenta diferentes sistemas internos e externos que influenciam na sua rotina, a empresa também é constituída por agentes internos e externos que atuam em seu cotidiano.

Enquanto, para um animal, por exemplo, os órgãos internos trabalham junto para que seu corpo trabalhe, para a empresa diferentes áreas cooperam para o seu funcionamento

Quando fazemos a mesma analogia com o ambiente externo, o animal convive com todo um ecossistema de seus iguais, outras espécies de animais, plantas, etc. O que exige que ele saiba se relacionar e se proteger.

Enquanto a empresa está inserida em um mercado com diferentes stakeholders como clientes, fornecedores e concorrentes. Ela também precisa se relacionar bem e, de certa forma, se “proteger” da concorrência.

Um dos principais fatores que chancela essa comparação, é a necessidade de adaptabilidade. Como já dito, o mercado e mundo de maneira geral está cada vez mais dinâmico, novas tecnologias surgem cada vez mais rápido e alteram demandas e necessidades da sociedade.

Charles Darwin, largamente conhecido por sua teoria de evolução das espécies, afirmou: não são as espécies mais fortes que sobrevivem, nem as mais inteligentes, e sim as mais suscetíveis a mudanças

Hoje essa fala de Darwin serve também para as empresas. Assim como organismos vivos podem deixar de existir por não conseguir se adaptar, uma empresa pode falir pelo mesmo motivo.

Sobre essa questão o professor Eugênio Mussak, fundador da Sapiens Consultoria em Desenvolvimento de Lideranças, afirmou em uma live:

A mudança é extremamente necessária, temos que aceitar a mudança de forma evolutiva, cada dia nós temos uma coisa nova. […] O cliente de 2020 não é mais o mesmo de outros anos, ele está mais informado, ele tem novos desejos e necessidades”

Mussak ainda lista outros agentes presentes no ecossistema em que a empresa está inserida como serviços e produtos substitutivos, questões econômicas, políticas e globalização.

O professor destaca o segundo principal habitante, o concorrente, “Ele faz a lição de casa e procurando aprimorar, ele está procurando evoluir. Quando eu deixo de evoluir estou perdendo espaço para o meu concorrente que está crescendo.”

Segundo Mussak a empresa que deseja “estar por dentro do processo evolutivo” precisa acompanhar essa grande lista de elementos.

Tecnologia: um dos principais agentes da seleção natural

Imagem: Freepik

Estamos inseridos em um mundo digital e tecnológico e disso todos sabemos. Entretanto, quando paramos para olhar datas e comparar hábitos podemos enxergar com mais clareza a velocidade impressionante dos avanços da tecnologia.

Por exemplo, hoje é praticamente impossível conhecer alguém que não tenha Whatsapp aqui no Brasil. Essa rede social nasceu em 2009 e é até estranho pensar que pouco mais de dez anos atrás precisávamos telefonar ou usar SMS para falar com alguém pelo celular.

Ou ainda, quando pensamos no nosso consumo de filmes e músicas hoje, já vem à cabeça os principais streamings. A Netflix chegou ao Brasil em 2011 e o Spotify foi criado em 2014. Não precisa ir tão longe para lembrar dos CDs e DVDs em nossas vidas.

E cada vez surgem inovações em uma velocidade espantosa, criações que podem acabar com verdadeiros impérios, como foi o caso da Blockbuster. 

E assim, podemos pensar que acompanhar as novas tecnologias é a prioridade número um das empresas, mas não é bem assim.

Um artigo da Harvard Business Review apresenta os dados de uma pesquisa da PWC na qual se aponta que o investimento médio em tecnologias emergentes (dentro do gasto total em tecnologias) cresceu apenas 1%.

Ainda segundo o artigo, executivos entrevistados disseram que buscavam iniciativas digitais principalmente para aumentar a receita e reduzir custos. Deixando claro que inovação e implementação das tecnologias mais recentes em seus produtos não eram prioridades.

Mesmo com toda a importância comprovada de acompanhar as ascensões tecnológicas, poucas organizações possuem a coragem e intenção de investir em novidades.

Sua empresa inserida nesse ecossistema

Cada animal evolui de uma maneira diferente de acordo com as suas necessidades e as imposições do ambiente em que está inserido. De maneira simplista, girafas possuem pescoços longos e elefantes trombas por diferentes razões que funcionam dentro da lógica dessas espécies.

O mesmo serve para as empresas. Contudo, no caso dos animais essas mudanças ocorreram em milhares de anos de evolução, no caso das empresas esse processo precisa ser muito mais rápido.

Portanto, é extremamente importante que você busque conhecer muito sobre a sua empresa, bem como cada funcionário e principalmente os tomadores de decisão.

De tal forma, é possível analisar onde a sua empresa se encontra no ecossistema e na sua jornada individual ampliando a perspectiva.

Para isso é importante ter uma visão do todo de uma organização. Em seu livro, A Quinta Disciplina, Peter Senge defende o pensamento sistêmico como uma ferramenta para mudar os sistemas com maior eficácia e agir de acordo com os processos do mundo natural e econômico.

Ou seja, esse pensamento sistêmico permite justamente que se possa enxergar o todo. Segundo Peter, “O pensamento sistêmico torna compreensível o aspecto mais sutil da organização que aprende — a nova forma pela qual os indivíduos se percebem e ao seu mundo.”

A visão sistêmica é uma das principais ferramentas para conseguir se inserir e acompanhar esse processo evolutivo do mercado.

A questão do real conhecimento de sua própria realidade é outro ponto interessante apontado por Senge em seu livro:

— A raiz da inovação está na teoria e nos métodos, não na prática. Absorver as melhores práticas, como tem estado em moda, não gera aprendizagem real. A organização que aprende não é uma máquina de clonagem das melhores práticas de outros.”

Essa fala lembra que não basta seguir as práticas do mercado para simplesmente copiar. É importante olhar para dentro para não ficar sempre para trás por um desfasamento em relação a sua própria realidade.

Ou você participa da evolução da espécie ou entra em extinção

Não importa como você enxerga a sua empresa, máquina ou organismo vivo, ela precisa sempre se renovar. Como vivos, as tecnologias surgem cada vez mais rápido e mudam as direções do mercado. Portanto, manter-se atualizado é manter-se vivo.

People Analytics ajuda a sua empresa na processo evolutivo

O processo de olhar para dentro é extremamente importante para qualquer tomada de decisão, planejamento ou ação despendida em uma organização. E o People Analytics é um novo modelo de gestão de pessoas que potencializa esse processo.

Essa metodologia ajuda a compreender, gerar e analisar dados do ativo mais orgânico de uma empresa: as pessoas. Entender o fator humano desde o processo seletivo até o processo de desligamento, passando por questões como produtividade e turnover fomenta o pensamento sistêmico.

Além disso, o People Analytics permite predições, imagine ter noção do que precisa ser alterado no seu negócio para mantê-lo vivo no ecossistema. Isso é entrega de qualidade competitiva. 

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